Por José Carlos Antunes, especialista fiscal e tributário da J2R Consultoria
A proposta de reforma tributária no Brasil trouxe diversas inovações ao sistema tributário nacional. Entre elas, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 68/2024, que busca regulamentar aspectos práticos do novo modelo de tributação. Um ponto que tem gerado atenção é a regra que condiciona a apropriação de créditos tributários ao recolhimento dos impostos pelos fornecedores em etapas anteriores da cadeia produtiva.
Como funciona a regra de apropriação de créditos?
De acordo com o texto do PLP 68/2024, as empresas somente poderão se apropriar de créditos tributários se os tributos relacionados aos insumos ou serviços adquiridos tiverem sido devidamente recolhidos pelos fornecedores. Essa medida visa fortalecer o controle tributário e reduzir o risco de fraudes, como créditos indevidos ou omissões fiscais em elos anteriores da cadeia produtiva.
Embora a proposta tenha como objetivo aumentar a arrecadação e reduzir a sonegação, ela traz desafios para empresas e para seus departamentos fiscais. “É uma medida que exige atenção redobrada e um alinhamento mais estreito entre empresas e seus fornecedores. A validação de créditos passará a ser mais complexa, demandando ferramentas mais robustas de compliance fiscal”, analisa José Carlos Antunes.
Desafios e impactos para as empresas
A implementação dessa regra implica mudanças significativas na gestão tributária das organizações. As empresas precisarão garantir que seus fornecedores estejam em conformidade fiscal, já que qualquer inadimplência poderá afetar o direito ao crédito tributário. Isso pode levar a:
- Necessidade de auditoria e monitoramento constantes: Ferramentas e processos para verificação de recolhimento de tributos serão indispensáveis.
- Maior rigor na seleção de fornecedores: O histórico fiscal das empresas fornecedoras passará a ser um critério essencial para decisões de compra.
- Custos adicionais de conformidade: Sistemas tecnológicos e serviços especializados para garantir a regularidade fiscal de toda a cadeia podem aumentar as despesas operacionais.
- Investimento em tecnologia fiscal: A adoção de ferramentas tecnológicas será indispensável para automatizar e validar processos fiscais. A J2R Consultoria, em parceria com a Thomson Reuters, oferece o ONESOURCE Tax Analyser, uma solução poderosa para análise, auditoria e compliance tributário.
- Parcerias estratégicas: Trabalhar com fornecedores confiáveis e com bom histórico fiscal será crucial.
- Capacitação interna: Treinamento da equipe fiscal e tributária para adaptação às novas regras.
- Suporte especializado: Contar com consultorias que possam oferecer expertise na interpretação e aplicação das normas tributárias.